Servidores públicos sonham com processos elétricos?

Na era do big data, inteligência artificial, machine learning, onde fica o poder público e o governo aberto? E mais ainda, como essas ‘coisas’ que muitas vezes têm nomes tão estéreis e estrangeiros, se relacionam com as políticas públicas e podem estar no dia-a-dia das pessoas?

A Fernanda Campagnucci conversou conosco sobre como tecnologia e governo aberto se relacionam e como a tecnologia é um artefato social, para além de ser apenas um instrumento.

Pensar em tecnologia aplicada ao setor público como solução para problemas concretos ainda parece algo de uma galáxia distante, mas é exatamente esse o pensamento que precisa ser superado. A discussão sobre tecnologia e os demais pilares de governo aberto — transparência, participação, inovação e integridade — é ainda muito superficial e nos impede de internalizar todo o potencial que as ferramentas tecnológicas têm para mudar a realidade social.

A tecnologia para o setor público vai muito além de programas, ferramentas e sites que servem para determinados processos e setores. É antes de tudo um artefato social e, por isso, é importante a forma como a tecnologia é desenhada, pensada e implementada. Tão importante quanto considerar a quem ela responde, quem ela inclui (ou exclui) e, inclusive, influencia. Ou seja, quando se trata do setor público, todo o processo ao qual a tecnologia está inserida importa e muito.

Pensar em políticas públicas abertas, na promoção da transparência e da participação social, demanda pensar no desenvolvimento de tecnologias de forma colaborativa, na sua co-criação com os usuários e com as pessoas responsáveis pela alimentação e operação da ferramenta. Processos de hackatonas, desenvolvimento de tecnologias em código aberto permitem o teste e aprimoramento das tecnologias antes de serem aplicadas e possibilitam ainda a colaboração posterior.

Ferramentas tecnológicas no poder público trazem alguns desafios que as lentes do governo aberto, da participação, da transparência e da inovação, ajudam a superar. Por isso, ao pensar nas formas de contratação de empresas de tecnologia é importante ter em mente que o próprio processo de desenho da tecnologia deve ser participativo. Além disso, a tecnologia em si deve permitir a transparência e a participação, desafio que pode ser superado com o uso de código aberto. Outro desafio interno à gestão pública é o processo de apropriação e utilização da tecnologia pelos servidores, por vezes um processo conflituoso. Nesse ponto, é essencial que os servidores sejam incluídos, possam compreender e contribuir com as discussões sobre o desenho da tecnologia, tendo acesso a protótipos que permitam testar e melhorar as ferramentas.

A tecnologia para o poder público vai muito além de ferramentas, é antes de tudo governança. A infraestrutura de gestão tecnológica precisa considerar pontos como sua sustentabilidade, atualização e financiamento. Além disso, antes de se pensar na ferramenta tecnológica é importante ter claro qual problema público esta busca atender e a partir daí se pode pensar em como essa tecnologia se encaixa e vai atuar.

Discussões como essa são feitas no nosso Diálogos de Governo Aberto. Gostou? Então vem participar! Os encontros ocorrem às quartas-feiras, às 19h pelo Zoom. Acesse pelo link: https://bit.ly/dialogosdegovernoaberto

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